O CID 10 H49 corresponde ao estrabismo paralítico, um grupo de alterações oculomotoras causadas por lesões nos nervos cranianos responsáveis pela motilidade ocular, resultando em desalinhamento dos olhos e limitação dos movimentos oculares.
Essas condições podem ter origem neurológica, vascular, traumática, inflamatória ou tumoral, exigindo avaliação oftalmológica e neurológica criteriosa.
Classificação do CID 10 H49
🔹 H49.0 – Paralisia do terceiro par craniano (nervo oculomotor)
O nervo oculomotor (III par craniano) é responsável pela inervação da maior parte da musculatura extraocular, incluindo:
- Músculos retos medial, superior e inferior
- Músculo oblíquo inferior
- Músculo levantador da pálpebra superior
- Musculatura lisa do esfíncter da íris
Manifestações clínicas da paralisia do III par
Devido à sua ampla função, o acometimento do nervo oculomotor gera sinais característicos:
- Ptose palpebral
- Desvio ocular inferior e temporal
- Incapacidade de:
- Adução
- Supradução
- Infradução
Alterações pupilares
Na paralisia completa, ocorre comprometimento parassimpático, resultando em:
- Midríase
- Anisocoria no lado afetado
⚠️ A presença de midríase associada à paralisia do III par indica necessidade de investigação imediata, especialmente para excluir aneurisma da artéria comunicante posterior, uma etiologia potencialmente fatal.
🔹 H49.1 – Paralisia do quarto par craniano (nervo troclear)
A paralisia do nervo troclear (IV par) afeta o músculo oblíquo superior, levando a:
- Diplopia vertical
- Piora ao olhar para baixo ou ler
- Inclinação compensatória da cabeça
🔹 H49.2 – Paralisia do sexto par craniano (nervo abducente)
O nervo abducente (VI par) inerva o músculo reto lateral, responsável pela abdução ocular.
Sinais clínicos comuns:
- Incapacidade de abdução do olho afetado
- Estrabismo convergente
- Diplopia horizontal
É frequentemente associado a hipertensão intracraniana, diabetes e causas vasculares.
🔹 H49.3 – Oftalmoplegia total (externa)
Caracteriza-se pela paralisia completa de todos os músculos extraoculares, com:
- Ausência total dos movimentos oculares
- Ptose acentuada
- Diplopia severa ou ausência de fusão binocular
🔹 H49.4 – Oftalmoplegia externa progressiva
Forma rara, geralmente associada a doenças mitocondriais, caracterizada por:
- Progressão lenta
- Comprometimento bilateral
- Ptose progressiva e limitação motora ocular
🔹 H49.8 – Outros estrabismos paralíticos
Inclui apresentações menos frequentes ou combinações de paralisias oculomotoras.
🔹 H49.9 – Estrabismo paralítico não especificado
Utilizado quando não é possível definir com precisão o nervo acometido no momento do diagnóstico.
Principais sintomas do estrabismo paralítico (CID 10 H49)
- Desvio ocular súbito
- Diplopia (visão dupla)
- Limitação dos movimentos oculares
- Ptose palpebral
- Cefaleia associada (em causas neurológicas)
Importância do diagnóstico precoce
O estrabismo paralítico pode ser o primeiro sinal de doenças sistêmicas ou neurológicas graves, como:
- Aneurismas intracranianos
- Acidente vascular cerebral
- Tumores
- Neuropatias diabéticas
- Processos inflamatórios
Por isso, o diagnóstico rápido é essencial para preservação visual e segurança do paciente.
Perguntas frequentes sobre CID 10 H49
CID 10 H49 é grave?
Pode ser. Algumas causas são benignas e autolimitadas, enquanto outras exigem intervenção médica imediata.
Paralisia do terceiro nervo com midríase é urgente?
Sim. A associação de ptose, desvio ocular e midríase é considerada emergência neurológica.
O estrabismo paralítico tem tratamento?
O tratamento depende da causa e pode incluir:
Cirurgia de estrabismo em casos selecionados
Observação clínica
Tratamento da doença de base
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