Nos últimos dias, a cirurgia conhecida como dente no olho ganhou destaque na mídia e chamou a atenção de muitas pessoas. À primeira vista, pode parecer algo saído da ficção científica, mas trata-se de um procedimento real, chamado osteo-odonto-ceratoprótese, indicado apenas para casos extremos em que outras alternativas não funcionam.
Esse tipo de cirurgia serve para pacientes que já perderam quase toda a visão e não têm mais chance de sucesso com o transplante de córnea tradicional. Diferente do que pode parecer, não se trata de recuperar a visão em alta definição, mas sim de permitir algum grau de percepção visual em pessoas que antes não enxergavam nada.
Por que usar um dente no olho
O procedimento de dente no olho funciona porque o dente e o osso do próprio paciente servem como suporte para uma pequena lente óptica, capaz de restaurar a visão em casos extremos. Por utilizar material do próprio corpo, o risco de rejeição é significativamente menor, já que o organismo reconhece o tecido como natural. Essa é a grande vantagem do transplante autólogo, que combina biocompatibilidade e eficiência funcional.
Mesmo assim, trata-se de um tratamento altamente especializado, realizado em pouquíssimos centros ao redor do mundo. Ele é reservado apenas para situações muito graves, como queimaduras químicas extensas, doenças cicatriciais da superfície ocular, infecções severas que destroem a córnea ou trauma ocular traumático que comprometa a visão de forma irreversível.
A seguir, veja um infográfico que ilustra de maneira clara como essa complexa cirurgia é realizada, passo a passo:
A córnea ainda é insubstituível
A repercussão dessa técnica chama atenção para algo importante: o quanto a nossa córnea é única. Ela funciona como a lente natural mais precisa que temos. Não é só miopia, hipermetropia ou astigmatismo que estão em jogo. Existem aberrações ópticas muito mais complexas que só a córnea consegue corrigir com perfeição.
É por isso que, sempre que possível, o transplante de córnea convencional continua sendo o padrão. Ele preserva essa lente natural, que responde por boa parte da qualidade da nossa visão.
Estima-se que cerca de 70% das informações que recebemos do ambiente chegam pelos olhos. E, entre os animais, nossa visão está entre as mais refinadas quando falamos em percepção de cores e detalhes.
Quando um dente vira olho: o futuro e a importância do transplante de córnea no Brasil | Marco Negreiros
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Avanços e limites da medicina
Quando falamos em transplante de córnea, temos diferentes técnicas: o transplante penetrante, o lamelar anterior e o endotelial, cada um indicado para uma situação específica. Esses procedimentos permitem reabilitar pacientes com ceratocone avançado, distrofias ou doenças endoteliais, mantendo a estrutura natural do olho.
Já a ceratoprótese, incluindo a técnica que envolve o dente, é um recurso de exceção. Não substitui o transplante de córnea, mas pode devolver alguma visão em pacientes que não teriam nenhuma outra chance.
A cirurgia que coloca um dente no olho impressiona e desperta curiosidade, mas precisa ser entendida dentro do seu contexto. Para a imensa maioria dos pacientes, os transplantes de córnea continuam sendo o caminho mais seguro e eficaz.
O futuro aponta para terapias regenerativas, como o uso de células-tronco e membrana amniótica, mas ainda estamos longe de substituir a córnea natural. Ela continua sendo uma das estruturas mais sofisticadas e insubstituíveis do corpo humano.
Se você se interessou por esse avanço da ciência, lembre-se de que o primeiro passo para cuidar da sua visão é consultar um especialista. No Agenda Oftalmo, você agenda sua consulta online com oftalmologistas de todo o Brasil de forma rápida e segura.

