DMRI | Degeneração Macular Relacionada à Idade: Causas, Sintomas e Tratamentos

Entenda o que é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) e como se prevenir e tratar nessas condições.

Para Pacientes

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A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma das principais responsáveis pela perda da visão central em pessoas com mais de 50 anos. Essa doença afeta a mácula, uma parte específica da retina que nos permite enxergar detalhes com precisão. Embora a DMRI não leve à cegueira total, ela pode prejudicar bastante a independência e a qualidade de vida. Saber mais sobre suas causas, sintomas e tratamentos é essencial para proteger a visão e desacelerar o avanço dessa condição

O que é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)?

A DMRI é uma doença crônica e progressiva que afeta a mácula, região central da retina. A mácula concentra um aglomerado de células sensíveis à luz responsáveis pela nitidez na visão. Quando a mácula sofre degeneracao, as dificuldades para realizar tarefas cotidianas como ler, reconhecer rostos e dirigir, aparecerem de forma substancial e gradativa. A doença, apesar de não compromete a visão periférica, sua progressão causa grande impacto na autonomia do paciente.

Como a DMRI afeta a visão central

A DMRI afeta diretamente a visão central, tornando difícil enxergar detalhes. Pacientes relatam quadros de  distorções, como linhas retas que parecem onduladas, ou ainda manchas escura no centro do campo da visao. É uma doenca que, de forma geral, evolui lentamente. Todavia, em alguns casos, como na forma úmida da doenca, a perda de visão pode ser rápida.

Papel da mácula na visão

A mácula é responsável pela visão detalhada e pela percepção de cores. Ela é composta por milhões de cones, que sao células fotorreceptoras que permitem enxergar claramente objetos pequenos e próximos. Danos à mácula afetam a capacidade de distinguir rostos, ler letras pequenas e realizar trabalhos que exigem precisão.

Tipos de DMRI

A Degeneração Macular Relacionada à Idade tem duas formas principais:

  1. DMRI seca:
    • Forma mais comum, representa cerca de 85% dos casos.
    • Caracterizada pelo acúmulo de drusas, depósitos amarelos sob a retina.
    • Causa atrofia lenta da mácula.
  2. DMRI úmida:
    • Menos comum, mas mais grave.
    • Resulta do crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a mácula, que vazam sangue e fluido.
    • Pode causar perda rápida da visão central.

Causas da DMRI

A DMRI é uma doença multifatorial. O condicao génetica influencia diretamente no  surgimento da doenca, além dos fatores ambientais e comportamentais que também contribuem para o surgiemnto da doenca.  O estresse oxidativo e a inflamação crônica parecem ser os principais mecanismos responsaveis pela degeneração da mácula.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para desenvolver a DMRI incluem:

  1. Idade avançada: O risco aumenta após os 50 anos.
  2. Histórico familiar: Indivíduos com parentes próximos que têm DMRI têm maior probabilidade de desenvolver a doença.
  3. Tabagismo: Fumar duplica o risco de DMRI.
  4. Hipertensão e colesterol alto: Comprometem a circulação sanguínea nos olhos.
  5. Dieta inadequada: Baixo consumo de antioxidantes e alto consumo de gorduras prejudicam a saúde ocular.

Outros fatores incluem obesidade, sedentarismo e exposição prolongada à luz ultravioleta (UV).

Sintomas da DMRI

Os sintomas da DMRI podem ser sutis no início, mas à medida que a doença progride, os pacientes relatam:

  • Visão central turva ou distorcida.
  • Percepção de linhas retas como onduladas.
  • Manchas escuras ou vazias no campo de visão.
  • Dificuldade para reconhecer rostos ou ler textos pequenos.

A detecção precoce dos sintomas pode ajudar a retardar a progressão da doença.

Diagnóstico da DMRI

O diagnóstico da Degeneração Macular Relacionada à Idade é feito por meio de exames oftalmológicos detalhados. As ferramentas mais utilizadas incluem:

  • Exame de fundo de olho: Permite a visualização direta da mácula.
  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT): Gera imagens detalhadas das camadas da retina.
  • Teste de Amsler: É utilizado para detectar distorções na visão central.
  • Angiografia com fluoresceína: Avalia a circulação sanguinea (arterias e veias ) da retina.

Esses exames ajudam a diferenciar entre a forma seca e úmida da doença, orientando a escolha do tratamento.

Tratamentos da DMRI

Embora a DMRI não tenha cura, os tratamentos podem desacelerar sua progressão, especialmente na forma úmida. Entre as opções disponíveis estão:

  1. Injeções intravítreas de anti-VEGF:
    • Medicamentos como ranibizumabe e aflibercepte inibem o crescimento de vasos anômalos.
    • São aplicados diretamente no olho para reduzir a progressão da forma úmida.
  2. Terapia fotodinâmica:
    • Combinação de um laser e uma substância fotossensibilizante para destruir vasos anormais.
  3. Suplementação vitamínica AREDS:
    • Antioxidantes, zinco e cobre ajudam a retardar a progressão da DMRI seca.
  4. Fotocoagulação a laser:
    • Utilizada em casos selecionados de DMRI úmida para selar vasos anormais.
Tratamento Indicação Benefício principal
Anti-VEGF DMRI úmida Reduz crescimento de vasos anômalos
Suplementos AREDS DMRI seca (intermediária) Diminui progressão da doença
Fotocoagulação a laser DMRI úmida (casos específicos) Sela vasos anormais
Terapia fotodinâmica DMRI úmida Destrói vasos com menos danos ao tecido saudável

Prevenção e cuidados diários

Algumas medidas podem ajudar a prevenir ou retardar a progressão da DMRI:

  • Adote uma dieta saudável: Alimentos ricos em antioxidantes, como vegetais verdes, frutas e peixes ricos em ômega-3, são benéficos.
  • Pare de fumar: Fumar é um dos maiores fatores de risco para DMRI.
  • Proteja os olhos da luz UV: Use óculos de sol com proteção UV.
  • Monitore sua visão com o teste de Amsler: Isso ajuda a detectar alterações precoces.
  • Mantenha consultas oftalmológicas regulares: Especialmente após os 50 anos.

Conclusão

A DMRI é uma doenca  que acomete a visão de forma importante. Por isso, descobrir a DMRI cedo e começar o tratamento certo faz toda a diferença para manter a visão por mais tempo. Quem tem a condição precisa fazer algumas mudanças no estilo de vida, acompanhar de perto com o oftalmologista e seguir os tratamentos indicados Se você já passou dos 50, vale a pena adotar cuidados preventivos e visitar o oftalmo regularmente para cuidar bem da sua visão.

Referencias :

  • American Academy of Ophthalmology (AAO);
  • Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO);
  • Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV);
  • Estudos AREDS e AREDS2 (Age-Related Eye Disease Study), que investigam a progressão da DMRI e o uso de suplementos.
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Oftalmologista com atuação acadêmica e produção de conteúdo na área da saúde ocular, incluindo participação como colunista em plataformas especializadas. Possui vínculo institucional com universidade de referência e atuação reconhecida na oftalmologia.
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