Miastenia Gravis e seu impacto na saúde ocular

Para Pacientes

Você já ouviu falar de miastenia gravis?

Miastenia Gravis (ou miaestenia grave) é uma doença autoimune crônica que causa um enfraquecimento muscular em várias regiões do corpo, principalmente na região da face, podendo gerar impactos significativos na saúde ocular também.

Ela ocorre quando o nosso próprio sistema de defesa produz anticorpos que atacam os receptores de acetilcolina da junção neuromuscular, causando interferências na transmissão de impulsos elétricos entre os nervos e os músculos, e consequentemente, causa fraqueza e fadiga muscular.

Explicando para uma criança de 10 anos: é como se o próprio corpo se atacasse e os nervos não conseguissem conversar com os músculos, deixando o corpo fraco e cansado.

E como isso impacta na saúde ocular?

O envolvimento ocular é a primeira manifestação da miastenia na maioria dos pacientes.

Os principais sintomas oftalmológicos são ptose palpebral e diplopia. Mas há casos de estrabismo (“olhar vesgo”) e visão embaçada também.

Ptose palpebral é a queda da pálpebra superior devido à fraqueza do músculo que levanta a pálpebra, podendo diminuir o campo visual. Já a diplopia é uma visão dupla devido à fraqueza dos músculos que movimentam os olhos.

Como é feito o diagnóstico dessa condição?

O diagnóstico da miastenia gravis é sugerido por sinais e sintomas específicos como fraqueza muscular episódica que piora com exercícios e melhora ao repouso.

Para confirmar o diagnóstico, são realizados uma série de testes e exames:

  • Teste do gelo

Aplica-se uma bolsa de gelo nos olhos do paciente por 2 minutos. Na miastenia gravis, a queda de pálpebras poderá se resolver devido ao frio.

  • Teste de repouso

O paciente deve se deitar com os olhos fechados em uma quarto escuro e tranquilo por alguns minutos. Na miastenia gravis, os olhos podem voltar a se mover normalmente e a diplopia diminui ou desaparece após esse repouso.

  • Exame de Eletromiografia (EMG)

É inserido um eletrodo para detectar a atividade elétrica dos músculos e dos nervos que os controlam. O médico neurologista interpretará o exame.

  • Exames de sangue

A presença de anticorpos anti-receptor de acetilcolina no sangue é um indício do distúrbio.

  • Tomografia de tórax

Exame de imagem para avaliar o timo (glândula que regula da defesa imunológica do organismo).

Também podem ser solicitados exames para verificar a presença de outras doenças autoimunes, frequentemente associadas com a miastenia gravis, como a anemia perniciosa, artrite reumatoide e lúpus.

Quando a fraqueza muscular prejudica a respiração pode ser solicitado um teste de função pulmonar.

Como é o tratamento?

O tratamento de miastenia gravis envolve 2 vertentes: tratar os sintomas e a causa.

Para diminuir a fraqueza e melhorar a força muscular é usado o medicamento piridostigmina, que aumenta a quantidade de acetilcolina.

Já para suprimir a reação autoimune e retardar o avanço da doença podem ser prescritos corticosteroides (como prednisona) ou imunossupressores.

Em casos graves ou refratários, pode ser consideradas outras opções de tratamento como anticorpos monoclonais, imunoglobulina intravenosas, plasmaférese (procedimento para retirar os anticorpos anormais do sangue) e cirurgia para remover o timo, se estiver aumentado (hiperplasia do timo) ou se houver um tumor (timoma).

Conclusão

Resumindo, a miastenia gravis pode impactar negativamente a saúde ocular, causando sintomas como ptose palpebral, diplopia e dificuldade de movimentar os olhos.

É imprescindível que esses pacientes sejam acompanhados por uma equipe multidisciplinar (oftalmologistas, neurologistas e fisioterapeutas) para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

Apesar da doença não ter cura, com o tratamento adequado, muitos pacientes podem experimentar uma melhora significativa em seus sintomas e qualidade de vida.

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Oftamologista
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Sou paraense, formada em Medicina pela UFPA. Realizei residência em Oftalmologia na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, onde também concluí pós-graduações em Plástica Ocular, Vias Lacrimais, Órbita e Neuro-oftalmologia. Permaneço na instituição como supervisora até hoje. Atualmente, moro em São José dos Campos e atuo profissionalmente tanto na região quanto em São Paulo.
Sou paraense, formada em Medicina pela UFPA. Realizei residência em Oftalmologia na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, onde também concluí pós-graduações em Plástica Ocular, Vias Lacrimais, Órbita e Neuro-oftalmologia. Permaneço na instituição como supervisora até hoje. Atualmente, moro em São José dos Campos e atuo profissionalmente tanto na região quanto em São Paulo.

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