Cirurgia de Catarata: como é realizada e quais as dúvidas mais frequentes sobre o procedimento

Comumente nos consultórios de Oftalmologia nos deparamos com muitas dúvidas dos pacientes em relação à cirurgia de catarata. Afinal, essa é uma das cirurgias mais realizadas na Oftalmologia e na Medicina como um todo. Apesar de segura, a cirurgia de catarata é muito delicada e exige uma altíssima precisão por parte do cirurgião. 

No texto de hoje, quero explicar a vocês como é realizada esta cirurgia e desmistificar algumas ideias que não raramente escuto no meu dia a dia de atendimento. 

Vamos, então, começar pelo básico: afinal, o que é catarata? 

O nosso olho possui uma estrutura interna, denominada cristalino, que funciona como uma “lente ajustável” da nossa visão. Através do cristalino, conseguimos, até um certo limite, mudar o nosso olhar de um objeto para outro, mesmo em diferentes distâncias, sem perder o foco da imagem. Com o passar da idade, entretanto, assim como o restante do nosso corpo, o cristalino sofre um processo de envelhecimento. Nesse processo, o cristalino vai tornando-se progressivamente opaco. Essa opacificação do cristalino denominamos catarata. A opacificação da catarata intensifica-se com o decorrer dos anos, levando a uma baixa de visão e, se não tratada, a eventual cegueira. Para você ter uma ideia, a catarata é a principal causa de cegueira reversível no mundo!

E como eu posso tratar a catarata? 

De acordo com a Academia Americana de Oftalmologia, a cirurgia de catarata é o procedimento mais comum e efetivo para o tratamento da catarata, tendo uma taxa de sucesso de cerca de 97% ou mais quando realizada por cirurgiões experientes. Ou seja, trata-se de uma cirurgia muito segura!

Como é realizada a cirurgia de catarata? 

A cirurgia de catarata é uma cirurgia milenar, que passou por diversos avanços tecnológicos nas últimas décadas. Atualmente, o método mais comumente empregado é a cirurgia de facoemulsficação. Neste método, o médico Oftalmologista utiliza uma espécie de caneta – o facoemulsificador – que possui um ultrassom em sua ponta, capaz de fragmentar o cristalino opacificado em vários pedaços, dentro do próprio olho do paciente. Enquanto os pedaços são fragmentados, a mesma caneta aspira os fragmentos, removendo a catarata do paciente por completo. A cirurgia é indolor, permitindo ao paciente que fique acordado durante toda a cirurgia. 

O objetivo da cirurgia não é apenas a remoção da catarata, mas também a substituição do cristalino por uma lente intraocular. Existem vários tipos de lentes no mercado, incluindo lentes monofocais, multifocais, acomodativas e as de correção de astigmatismo. A finalidade destas lentes é melhorar a visão e limitar a dependência de óculos ou lentes de contato.

E quanto tempo dura a cirurgia? Como funciona a recuperação? 

O tempo de cirurgia de catarata é variável, de acordo com a experiência do cirurgião, das características da catarata e do perfil do paciente. Entretanto, costuma ser uma cirurgia rápida nos casos mais simples, variando de 5 a 15 minutos, em média. O fato de a maior parte das cirurgias ser realizada, hoje em dia, apenas com anestesia tópica diminui muito o tempo de cirurgia. Em casos selecionados, podemos lançar mão de uma sedação leve ou bloqueio ocular anestésico. 

A recuperação da cirurgia de catarata também costuma ser rápida. Muitas vezes o paciente já sai enxergando da sala cirúrgica melhor do que chegou. Entretanto, devido à energia utilizada na cirurgia e à manipulação do olho, espera-se uma resposta inflamatória nos primeiros dias, que pode levar a uma leve piora da visão inicialmente. Por esse motivo, no pós-operatório, costuma-se deixar uma associação de colírios anti inflamatórios com antibióticos. 

A catarata pode voltar com o tempo?

Não. Após a remoção do cristalino e sua substituição por uma lente intraocular, não há como a catarata voltar. O que pode acontecer, entretanto, é o desenvolvimento de uma opacificação da cápsula que envolve a lente, causando uma baixa de visão do paciente. Para isso, podemos utilizar um procedimento chamado capsulotomia, que remove essa opacificação, revertendo os sintomas do paciente. Em alguns casos muito mais raros, pode haver opacificação da própria lente intraocular. Nesse caso, poderia ser necessária reabordagem cirúrgica para substituição da lente. 

Além das informações acima descritas, vale desmistificar alguns comentários que escutamos por aí: 

1 – Não se pode lavar a cabeça depois da cirurgia. MITO. O paciente pode tomar banho e lavar a cabeça após a cirurgia, desde que se tenha o cuidado de não deixar entrar água e sabão no olho operado. 

2 – Tem que tirar o olho para remover a catarata. MITO. Na cirurgia de catarata, fazemos uma pequena incisão na córnea do paciente para entrar com a caneta de ultrassom que irá remover a catarata. Após a retirada da catarata, não é necessária, como regra, sequer a utilização de pontos de sutura. 

3 – Toda cirurgia de catarata é feita a laser. MITO. O método mais empregado hoje em dia para a remoção da catarata, como dito anteriormente, é a facoemulsificação, que utiliza energia de ULTRASSOM – e não laser. Mais recentemente, alguns passos da cirurgia de catarata foram possibilitados de serem feitos com o laser de femtossegundo, um aparelho originalmente desenvolvido para realização de cirurgia refrativa. Esse aparelho permite que as incisões e cortes mais profundos sejam feitos a laser, com maior precisão e sem a necessidade de bisturís. Entretanto, mesmo com esse aparelho ainda há a necessidade do cirurgião para a remoção do cristalino e para a implantação da lente intraocular.

Concluindo, não são poucas as dúvidas existentes em relação à cirurgia de catarata. Sendo os nossos olhos as nossas janelas para o mundo, é normal que tenhamos tantas preocupações e questionamentos antes de deixarmos alguém operá-los. E você? Possui alguma dúvida em relação a este procedimento? Deixe sua dúvida aqui nos comentários que teremos o prazer em respondê-lo!

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