Tabela de Snellen: como interpretar?

A visão é um dos sentidos mais nobres que possuímos. Cuidar da saúde visual reflete em uma maior qualidade de vida e independência quando à senescência. Com o avançar das tecnologias a medida da acuiade visual se faz mais precisa a cada dia, porém, até aqui várias foram as tentativas e formas para mensuração da mesma. 

Data-se da Idade Média as primeiras tentativas de estimar a capacidade visual pelos árabes, a partir da observação da constelação Ursa Maior, mas, somente no século XIX, os conceitos até hoje utilizados foram introduzidos pelo oftalmologista Holandês Franciscus Donders e seu assistente Herman Snellen – responsável pela criação da Tabela de Snellen de acuidade visual. 

A acuidade visual foi então definida como a capacidade do olho humano em discernir detalhes de objetos próximos a uma determinada distância a partir de um ângulo mínimo de resolução correspondente a 1 minuto de arco, ou seja, para que nosso olho consiga discernir 2 pontos distintos quando à estimulação da retina, esses pontos devem estar separados entre si por um ângulo de 1 minuto de arco. Visando objetivar essa avaliação, Snellen então desenvolveu sua tabela de avaliação da acuidade visual a qual possui letras, chamadas de optotipos, de 5 minutos de arco, em que cada detalhe desses optotipos compreende 1 minuto de arco. 

Snellen atribuiu como referência padrão a capacidade de reconhecimento dos optotipos de 5 minutos de arco a uma distância de 20 pés (correspondente a 6 metros), sendo esta a visão de 20/20, ou 100%. As diversas linhas de avaliação da tabela seguem a referência padrão de maneira comparativa, sendo o numerador da fração a distância da tabela em que o paciente se encontra no momento da avaliação (mais comumente denotada em pés), e o denominador a distância em que aqueles optotipos compreendem um ângulo visual de 5 minutos de arco, e seus detalhes 1 minuto de arco. Em outras palavras, o denominador nada mais é do que a distância da tabela na qual uma pessoa emétrope, e com plena capacidade visual, enxergaria a mesma linha de optotipos quando comparada ao paciente examinado.

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:1606_Snellen_Chart-02.jpg

Exemplificando a partir da imagem acima: se um paciente só consegue enxergar até a linha 5, temos que sua acuidade visual é de 20/40, ou seja, o que ele está vendo a 20 pés ou 6 metros, se em condições de plena capacidade visual, seria visto a 40 pés ou 12 metros.

Para uma correta avaliação do paciente o exame deve ser realizado em um ambiente calmo e iluminado, sem incidência direta da luz sobre a tabela ou os olhos do paciente, posicionando-se a mesma de forma que a altura da linha 8 (20/20) coincida com os olhos do examinado. A avalição deve ser monocular, ocluindo-se de maneira não opressiva o olho não examinado, com posterior troca e avaliação do olho contralateral da mesma forma. Todos os detalhes são importantes durante o exame, uma vez que o mesmo nos dá importantes informações quanto a capacidade visual do paciente e que podem ser decisivas na vida do mesmo – para uma carteira de motorista categoria B, por exempo, a visão deve ser igual ou melhor do que 20/30. Outro detalhe importante se dá com a categorização de cegueira pela OMS, sendo definida como acuidade visual pior que 20/400 no melhor olho. 

Algumas condições interferem na capacidade visual do paciente e não necessariamente exprimem uma condição patológica, sendo a mais comum delas os erros refracionais. 

Pacientes míopes sem o uso de lentes corretivas não conseguiriam ler, a depender do grau de sua miopia, a linha 20/20 da tabela de Snellen, mas podem facilmente alcançar a mesma quando corrigidos. A melhor acuidade visual do paciente sempre é avaliada quando o mesmo encontra-se corrigido para a sua ametropia! Em alguns outros casos a diminuição da acuidade visual pode dar dicas durante o exame oftalmológico de alterações que necessitem da intervenção médica, como por exemplo: alterações de superfície ocular – apresentando refrações que variam muito durante a avaliação; corneanas, de transparência do meio ou ectasias, como o ceratocone; cristalinianas, sendo a catarata a mais comum na população idosa; e até mesmo retinianas, algumas dessas reverssíveis e/ou contornáveis. 

Críticas ao modelo de Snellen se devem ao fato das linhas de avaliação não possuírem o mesmo número de optotipos em cada uma delas, além de não haver uma progressão logarítimica proporcional entre os mesmos e entre as linhas da tabela. Além disso, o grau de dificuldade entre os diferentes optotipos não é o mesmo, e a tabela não possibilita a avaliação da acuidade visual em crianças, fazendo com que diversos outros modelos de medida de acuidade visual surgissem ao longo do tempo. 

Apesar disso, a tabela de Snellen continua sendo o método cotidiano mais utilizado para verificação da acuidade visual dos pacientes no dia-a-dia, norteando tratamentos – como medida evolutiva de melhora visual – e possibilitando a correção das diversas ametropias, garantindo assim uma melhor qualidade de vida aos pacientes.

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