Catarata Congênita: o que é? Existe tratamento?

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Quando falamos em catarata, normalmente associamos esse fenômeno a uma pessoa de maior idade, especialmente idosos, como um processo decorrente do envelhecimento. Entretanto, existem situações em que o ser humano já apresenta catarata desde o nascimento. Este fenômeno denominamos catarata congênita, tema do nosso texto de hoje. 

Para falarmos sobre catarata congênita, primeiramente precisamos entender a definição de catarata. A catarata é definida como qualquer opacificação do cristalino do olho, gerando um grande espectro de sintomas visuais, de acordo com o tipo de catarata e com o seu grau de acometimento ocular. 

Existe algum risco quando nascemos com catarata congênita? 

A opacificação do cristalino ao nascimento é extremamente perigosa para o desenvolvimento adequado da visão, uma vez que a catarata causa uma privação visual, isto é, a luz não consegue ultrapassar de maneira adequada o cristalino e atingir a retina. Sem estímulo suficiente na retina, a criança deixa de desenvolver todo o sistema visual, podendo levar a um comprometimento da visão para o resto da vida. 

Quais os sinais que nos fazem pensar em catarata congênita? 

O principal sinal que os pais e os profissionais de saúde observam na criança com catarata é a leucocoria, uma mancha esbranquiçada na visão, facilmente identificada através do teste do reflexo vermelho (teste do olhinho), realizado ainda na primeira semana de vida. Entretanto, existem alguns tipos de catarata que nem sempre são identificados por este teste. Por este motivo, uma consulta com o oftalmologista desde os primeiros meses de vida é de extrema importância para afastar este problema. A sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica recomenda que o acompanhamento oftalmológico deve ser semestral até os 2 anos. 

Outros sinais que podem ser encontrados no caso de catarata congênita são o estrabismo e a ausência de fixação visual pelo bebê. 

O que causa a catarata congênita? 

A catarata congênita pode ocorrer de maneira unilateral ou bilateral, e se desenvolver de maneira hereditária, associada a doenças infecciosas, doenças metabólicas ou outras doenças sistêmicas. 

Das cataratas hereditárias, podemos citar como exemplo a catarata polar posterior, a qual apresenta geralmente um padrão de herança autossômica dominante; com o passar do tempo, esse tipo de catarata tende a formar opacidades na cápsula posterior do cristalino, gerando uma acentuada diminuição da acuidade visual. 

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Em relação às doenças sistêmicas, podemos citar a doença de Wilson – em que ocorre acúmulo de cobre no organismo- e a galactosemia como as mais associadas à geração de catarata congênita. Quando associado a doenças sistêmicas, na maioria das vezes o quadro é bilateral. 

No Brasil, as doenças infecciosas assumem um papel importante no surgimento da catarata congênita, sendo a rubéola o principal agente reconhecido. Entretanto, outras infecções congênitas, como sífilis, toxoplasmose e CMV também já foram associadas ao surgimento de catarata. 

Por fim, algumas síndromes genéticas também apresentam um maior risco de desenvolvimento de catarata congênita, podendo destacar as trissomias do 13, 18 e 21, síndrome de Alport e Síndrome de Lowe. 

Como tratar a catarata congênita? 

O tratamento da catarata congênita é eminentemente cirúrgico. Entretanto, seu sucesso vai depender principalmente do diagnóstico precoce, uma vez que, como citado anteriormente, quanto mais tempo de privação visual o recém nascido é submetido, pior o desenvolvimento visual e maior o risco de ambliopia. Por exemplo, quando identificamos a presença de estrabismo ou nistagmo (movimentos involuntários e repetitivos dos olhos) em recém-nascido, concluimos que já houve um prejuízo do reflexo de fixação e, nestes casos, o prognóstico é pior. 

A cirurgia de catarata pode ser realizada por via anterior ou por via pars plana. Existem algumas particularidades na cirurgia de catarata congênita quando comparada à do adulto. A realização da capsulorrexe (incisão circular contínua criada na superfície anterior da cápsula do cristalino) geralmente apresenta maior complexidade uma vez que a cápsula anterior é mais elástica quando comparada à do adulto. Além disso, é necessário realizar uma capsulotomia posterior (ruptura da cápsula posterior do cristalino) e vitrectomia anterior durante o ato cirúrgico, tendo em vista que eventualmente surgirão opacidades na cápsula posterior em 100% dos pacientes ao longo do tempo. 

Quando se deve operar a catarata congênita? 

De maneira geral, o tratamento definitivo para a catarata congênita é a cirurgia de facectomia. O momento em que isso vai ocorrer vai depender de diversos fatores, como grau de acometimento, idade, uni ou bilateralidade, etc. Opacidades bilaterais, por exemplo, devem ser operadas precocemente, a fim de estimular o quanto antes o sistema visual. 

Vale lembrar que, até 1 ano de idade, evita-se implantar as lentes intraoculares, especialmente quando a catarata está associada a rubéola congênita, uveítes, microftalmo ou microcórnea. Nos casos em que não implantamos a lente, devemos fazer a correção da refração o mais rápido possível, com óculos ou lentes de contato, permitindo à criança o desenvolvimento adequado da visão. 

Como podemos ver, a catarata congênita apresenta um risco potencial para limitar o desenvolvimento de nossa visão. Através de um diagnóstico precoce, podemos evitar suas complicações, tratando de maneira eficaz e adequada estes recém-nascidos. Portanto, procure um oftalmologista para o seu filho e não deixe que um causa evitável de cegueira possa comprometer toda a sua vida!