Pressão alta: a importância do acompanhamento com o oftalmologista

A hipertensão, ou pressão alta como popularmente é conhecida, é uma doença silenciosa que atinge aproximadamente 30% da população brasileira. Há diversas origens, mas sabemos que tem componente genético, aumenta sua frequência com a idade, sedentarismo, ganho de peso e alimentação inadequada (principalmente com excesso de sal).

Certo, mas você sabe como e por que a pressão alta nos vasos sanguíneos são prejudiciais a saúde? Vamos explicar!

Imaginem uma mangueira de água, isso mesmo, essa mangueira consegue manter um certo fluxo, se por algum motivo esse fluxo aumentar, a própria estrutura da mangueira não conseguirá suportar aquela água, certo? É isso que acontece com nossos vasos sanguíneos, eles têm a capacidade de suportar um certo fluxo de sangue, em valores ótimos de 120×80 mmHg (ou 12 por 8), podendo variar para mais ou para menos. É considerado Hipertensão quando esses valores estão persistentemente acima de 140×90 mmHg, ou seja, essa pressão já é considerada nociva para nossos vasos provocando lesão!

Os danos causados pela pressão alta acomete vários órgãos do nosso corpo, como Coração, Cérebro, Rins, e claro nossos olhos que são estruturas muito delicadas. Neles temos vasinhos muito finos e de certa forma frágeis que não suportam grandes variações de pressão. Quando a pressão alta provoca alterações danosas nas estruturas oculares, principalmente na Retina, chamamos isso de Retinopatia Hipertensiva.

Por isso que todo paciente diagnosticado com Hipertensão arterial deve fazer acompanhamento médico e multidisciplinar com o clínico geral, cardiologista e também com Oftalmologista! É o Oftalmologista que irá, através do exame oftalmológico, diagnosticar possíveis alterações oculares, provocadas pela pressão alta.

O que é retinopatia Hipertensiva?

É um grupo de alterações do fundo de olho, em estruturas oculares como artérias, nervos e retina (a parte mais nobre dos nossos olhos!), além disso pode acometer também o nervo óptico e coroide.

Quais são os achados e sintomas?

Assim como a hipertensão arterial, a retinopatia hipertensiva pode se apresentar de forma assintomática, ou seja, não apresentar nenhum sintoma até a evolução para as formas mais graves. Confira mais sobre os sintomas no caderno de atenção básica do Ministério da Saúde.

Os achados que o Oftalmologista pode encontrar no exame do fundo de olho são:

  • Estreitamento arteriolar (vasos ficam mais finos).
  • Alteração no reflexo normal das artérias retinianas.
  • Cruzamento arteriovenoso patológico, é um sinal onde a artéria passa “por cima”da veia, isso configura uma anatomia dos vasos alterada.
  • Hemorragias, ou seja, sangramento retiniano.
  • Microaneurismas.
  • Oclusão, ou seja, entupimento desses vasos retinianos.

Todos esses achados, resultam em perda visual em diferentes graus para o paciente! Inclusive pode levar a cegueira, de forma irreversível. Em um ou nos 2 olhos.

Existe o que chamamos de Retinopatia hipertensiva maligna:

Esse tipo de retinopatia está associada a uma elevação súbita da pressão arterial, pressões acima de 200×140 mmHg podem causar essa condição. Lembram da analogia com a mangueira de água? Então imaginem uma pressão súbita dessa água, de repente! Estoura a mangueira, certo? Isso acontece também com os vasinhos da retina, e em outros sistemas também como já comentamos: coração, rins e cérebro.

Nesses casos, diferente da retinopatia hipertensiva crônica, a qual é geralmente assintomática, ela pode se apresentar com os seguintes sintomas:

  • Dor de cabeça;
  • Visão turva;
  • Visão dupla;
  • Aparecimento de manchas na visão, chamamos de escotomas.

Alguns achados oculares: edema ou inchaço macular (região de maior importância para nossa visão) o que pode provocar o descolamento dessa região retiniana, além de edema do disco óptico e hemorragias.

Como é feito o diagnóstico?

Como já falamos por aqui, será o médico oftalmologista que irá fazer esse diagnóstico através do exame de fundo de olho (Fundoscopia). Através desse exame é possível visualizar todas as estruturas retinianas, e reconhecer os achados que já comentamos mais acima. E para documentar, podemos fazer uma Retinografia, que é uma foto do fundo de olho. Além disso, podemos também abrir mão de um exame chamado Angiofluoresceinografia, que é um exame constrastado do fundo olho, sendo necessário em casos atípicos, ou para excluir outros diagnósticos ou reconhecer doenças retinianas associadas.

Como é feito o tratamento?

O tratamento é basicamente o controle da doença de base, ou seja, o controle da hipertensão arterial. Sendo assim o paciente deve além se acompanhar com médico clínico/cardiologista para se houver necessidade de controle com medicações anti-hipertensivas e deve também ter mudança no estilo de vida com melhora na alimentação e prática de atividades físicas. Saiba mais sobre prevenção em nosso artigo “Visão e bem-estar: a saúde começa pelos olhos!” .

O papel do oftalmologista nessa doença é reconhecer os danos nos olhos e manter o acompanhamento conjunto com as outras especialidades, e tratar se for necessário em caso de complicações como sangramento e oclusão dos vasos.

Por isso reforçamos a importância do acompanhamento oftalmológico de forma regular para todos os hipertensos. A equipe da Eyecare está preparada para isso! Temos oftalmologistas prontos para fazer seu acompanhamento e avaliar sua saúde ocular! Entre em contato conosco!

Por Dra. Julie Anne Carvalho médica, formada pelo Cesupa – Centro Universitário do Estado do Pará e residente de oftalmologia pelo Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini.

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